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Perspectiva 2005

Martha Medeiros

O que era para ser novidade virou trivial. Então, para rebater, desejo que neste novo ano o trivial é que nos surpreenda

Certas coisas se repetem ano após ano, e não será diferente em 2005. Teremos catástrofes ambientais e descobertas cientificas, casamentos desfeitos e novos namoros, gente passando fome e gente subindo na vida. Mudam as caras, os nomes e os endereços, mas originalidade, que é bom, nada. O que era para ser novidade virou trivial. Então, para rebater, desejo que neste novo ano o trivial e que nos surpreenda.

Que aquele cara que joga latas de cerveja e embalagens de salgadinho pela janela do ônibus tenha um surto de consciência e deixe de emporcalhar a cidade.

Que as pessoas que adoram armar barracos incluam o maracujá em sua dieta e se acalmem – o mundo está farto de tanta grosseria.

Que os motoristas que andam com o pé no fundo do acelerador encontrem outras maneiras de se sentir potentes e bacanas. Que façam mais sexo e tenham menos pressa.

Que as mulheres sejam mais elegantes e menos peruas. Inclusive – e principalmente – no comportamento.

Que pessoas que marcam horário, compareçam no horário. Que quando forem alvo de uma gentileza, agradeçam e retribuam. Que quando escutares um segredo, não espalhem. Que quando forem convidadas a participar de algo ilícito, não aceitem. Que quando receberem um livro de presente, leiam pelo menos a primeira página – vá que seja bom.

Que homens e mulheres que vivem dizendo que a sociedade não tem mais jeito façam sua parte: eduquem seus filhos, deem bons exemplos, distribuam todos os nãos que forem necessários, e não economizem no sim quando for para estimular conhecimento.

Que cada um de nós trate muito bem seus funcionários, não passe adiante textos sem autoria comprovada, não dê audiência para baixaria na tevê, não deixe a torneira aberta enquanto escovar os dentes, não compre produtos pirateados, não vire refém do celular, não fure fila nem perca o humor.

Parece moleza, mas esta lista de providencias beira ao delírio para muita gente. Todos concordam com tudo, mas, na prática, seguem negligenciando o óbvio. É uma pena, porque para termos um ano bom não dependemos apenas do Palocci, do Bush e do Osama, e sim das atitudes de quem nos cerca e principalmente das nossas próprias diretrizes para conduzir o dia-a-dia. Se você não consegue parar de fumar e nem emagrecer, não se estresse com isso. Adote outras metas para os próximos 12 meses, realizáveis na medida da sua boa vontade. Nada garante que o ano será de paz e fartura para todos, mas pode ser revolucionário se colaborarmos um pouquinho.


Domingo, 2 de janeiro de 2005.



Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.